Palestra destaca o papel do bem-estar animal até o abate

Em um cenário global que exige cada vez mais sustentabilidade, o agronegócio busca adaptações constantes, e a pecuária é protagonista nessa transformação. Pensar em produção sustentável envolve gestão, cooperativismo e, fundamentalmente, o bem-estar animal, temas que centralizaram os debates no pavilhão Smart Agro da ExpoLondrina 2026 nesta terça-feira (14).
Para discutir inovação na carne bovina, o IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná) reuniu especialistas que apresentaram soluções para uma produção mais ética e eficiente. A Dra. Ana Maria Bridi, agrônoma especialista em Ciência da Carne e professora da UEL, destacou a importância do manejo nas 24 horas que antecedem o abate.
“Parece contraditório, pois o animal está a caminho do abate, mas por princípios éticos e econômicos, não podemos causar dor ou sofrimento desnecessário. O manejo humanizado é um dever”, explica Bridi.
O princípio do bem-estar animal reconhece que falhas no manejo acarretam perdas na qualidade final do produto, prejudicando tanto o produtor quanto o consumidor. Um animal com boa nutrição, acesso a água limpa, abrigo contra temperaturas extremas e liberdade para exercer seu comportamento natural apresenta resultados superiores no rendimento da carcaça.
Segundo Bridi, o treinamento das equipes é o segredo do sucesso: “Os manejadores precisam entender como o animal vive, como enxerga o mundo e como se movimenta. Isso facilita o deslocamento para o caminhão ou para a seringa de forma calma, sem gritaria ou agressões, evitando que o gado se machuque”.
O impacto é mensurável. Dados do Serviço de Inspeção Federal (SIF) indicam que o volume de animais que morrem apenas durante o transporte no Brasil seria suficiente para alimentar uma cidade de 19 mil habitantes por um ano. Reduzir esses índices significa baratear custos e promover a sustentabilidade real.
Tecnologia e Gestão
Para que o bem-estar se traduza em lucro, a gestão deve ser precisa. Paulo Marcelo Dias, CEO da Ponta Agro, reforçou que a tecnologia é a maior aliada nesse processo. “Com ferramentas digitais, conseguimos identificar rapidamente onde mitigar ineficiências e buscar uma rentabilidade maior”, afirma. O sistema proposto por ele inclui softwares de gestão financeira, controle de custos por talhão e consultoria estratégica.
Complementando a visão de mercado, o zootecnista Mateus Talles, da cooperativa Copcarnes, explicou que a carne de qualidade superior exige cruzamentos genéticos selecionados, suplementação adequada e manejo de pastagem ajustado para evitar a degradação das áreas de confinamento.
Para demonstrar os resultados, o chef Leonardo Calixto, especialista em proteína animal, preparou cortes da linha premium Quality da Copcarnes. Utilizando peças como T-bone, Ancho e Shank (corte da parte inferior das pernas), Calixto provou que o manejo alinhado ao bem-estar animal garante maciez e sabor superiores até mesmo em cortes tradicionalmente menos valorizados.
Durante a 64ª ExpoLondrina, o pavilhão Smart Agro continua sendo o ponto de encontro entre produtores, startups e pesquisadores para discutir o futuro do setor. A programação completa está disponível no site oficial da feira (https://expolondrina.com.br/).
Leia Também
Compartilhe
Últimas Notícias
Coluna Podcast

O podcast “Conexão Agro” destaca a inovação presente na ExpoLondrina, entre elas o pulverizador elétrico operado via satélite e a plataforma que reúne informações estratégicas sobre a robótica agrícola em nível global. Confira as principais notícias do campo no podcast Conexão Agro.




