quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

COP30 e a Agricultura brasileira
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Alexandre Nepomuceno
17/03/2025

COP30 e a Agricultura brasileira

 

Alexandre Nepomuceno, PhD, Chefe-Geral da Embrapa Soja

A COP30 é a 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (Conferência das Partes). Este encontro global anual reúne líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir medidas no combate às mudanças climáticas. Trata-se de um dos eventos mais importantes sobre o tema no cenário mundial. A COP30 ocorrerá no Brasil de 10 a 21 de novembro deste ano, na cidade de Belém. Será um momento ímpar para o Brasil, e em especial para nossa Agricultura mostrar sua sustentabilidade. Somos um dos maiores produtores e exportadores de produtos agrícolas do mundo. Por isso, a participação do setor será estratégica nas discussões.

Nossa agricultura tem sido criticada pois seria uma grande contribuinte para o aumento das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) no planeta. Conforme o Word Resourses Institute o Brasil tem hoje participação de aproximadamente 3% das emissões globais no planeta, onde nossa agricultura entra com ~1% deste percentual. A maior parte das emissões de GEE no mundo (>70%) estão relacionadas ao uso de combustíveis fósseis para a produção de energia. A matriz energética do Brasil é composta por mais de 50% de fontes renováveis.  Somos um dos poucos países que podem aumentar consideravelmente sua produção nas próximas décadas, e com grande potencial para se tornar o maior produtor e fornecedor de biocombustíveis. Diferentemente da maioria dos países desenvolvidos, onde a produção de agroenergia pode competir com a produção de alimentos, o Brasil pode incorporar mais de 50 milhões de hectares de áreas de pastagens degradadas para aumentar a produção agrícola, sem necessidade de novo desmatamento ou conversão de áreas destinadas à produção de alimentos.

A COP30 será um momento crucial para mostrar que a agricultura Brasileira, na verdade, não é problema, mas sim parte da solução no combate às mudanças climáticas, pois além de produzir alimentos, fibras e biocombustíveis, nossa agricultura sequestra carbono. Principalmente nas últimas décadas temos adotado tecnologias e práticas sustentáveis como o plantio direto (PD), a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e Doenças (MID). Além disso, iniciativas como o "Plano ABC" (Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) e os programas de baixo carbono da Embrapa em Soja, Trigo, Milho, Sorgo, Leite, Carne, etc., buscam reduzir as emissões de gases de efeito estufa nas principais cadeias produtivas, assim como em toda a agricultura brasileira conduzida por pequenos, médios e grandes produtores.

Ao mesmo tempo, o estado brasileiro nas últimas décadas tem fortalecido políticas públicas para garantir a proteção ambiental, onde o engajamento equilibrado do setor produtivo agrícola tem promovido a sustentabilidade sem comprometer a competitividade do setor, um grande pilar da economia brasileira. Apesar de ainda termos problemas com desmatamento ilegal, nosso país tem, talvez, o Código Florestal (CF) mais rigoroso do mundo. Por exemplo, produtores da região sul, por lei, tem de preservar 20% da sua área com cobertura vegetal, enquanto no Norte a taxa de preservação é de 80%. Segundo dados da Embrapa, o Brasil tem mais de 66% de sua área coberta por vegetação protegida e preservada. Países desenvolvidos, ou outros países em desenvolvimento normalmente tem percentuais bem inferiores a este. Portanto, nossa participação na COP30 será uma oportunidade para reforçar a imagem do Brasil como um líder na adoção de soluções sustentáveis, ao mesmo tempo em que promove um diálogo construtivo com outros países sobre como equilibrar crescimento econômico e preservação ambiental.

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