
Feira internacional consolida-se como polo estratégico para negócios e networking no setor de hortifruti
Nos dias 6 e 7 de agosto, São Paulo sediou a nona edição da The Brazil Conference & Expo – Feira Internacional da Indústria de Flores, Frutas, Legumes e Verduras (FFLV). Organizado pela International Fresh Produce Association (IFPA), o evento já se firmou como referência no setor de horticultura, reunindo todos os elos da cadeia produtiva. Trata-se de uma oportunidade única para realizar negócios, adquirir conhecimento e ampliar a rede de contatos, com a presença de produtores, distribuidores, varejistas, exportadores e importadores. Nesta edição, cerca de 200 expositores apresentaram inovações e lançamentos voltados ao mercado de hortifruti.

Entre os temas abordados, destacaram-se as tendências que moldam o futuro do setor FFLV, como segurança alimentar, boas práticas pós-colheita, embalagens, rastreabilidade, logística da cadeia de frio, comercialização, além de protocolos e regulamentos do comércio global. O evento também proporcionou debates sobre o futuro da distribuição de alimentos, inteligência de mercado, estratégias para o setor hortifruti e perspectivas para o varejo, incluindo tecnologias emergentes e mudanças no comportamento do consumidor.
O consumidor, peça-chave da cadeia produtiva, esteve no centro das discussões. Observa-se, nos últimos anos, o desenvolvimento de produtos com atributos diferenciados, focados na sustentabilidade econômica e ambiental, além da segurança alimentar. A diversidade de frutas e hortaliças disponíveis, com cores, sabores, aromas e propriedades bioativas e nutracêuticas, reforça a tendência de uma alimentação mais saudável, com menos alimentos processados e mais produtos ricos em vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes. Exemplos incluem tomates com alto teor de licopeno e cenouras e batatas-doces ricas em carotenoides, além de produtos com maior vida útil e menor perda pós-colheita, adequados tanto para o mercado interno quanto para exportação.
As mudanças nos hábitos alimentares têm impulsionado a demanda por hortaliças mais práticas e convenientes, como melancia baby sem sementes, mini cenouras (baby carrots) e tomates cereja, cada vez mais presentes nas refeições. Outros exemplos incluem mix de folhas higienizadas, hortaliças minimamente processadas (como abóboras, cenouras e vagens), cozidas (beterraba), congeladas (brócolis e ervilha-verde), pré-fritas (batata), enlatadas (milho-doce, ervilha), picles diversos, além do crescente consumo de produtos orgânicos.

Esse movimento em direção a uma alimentação saudável, saborosa, nutritiva e de fácil preparo tem estimulado instituições de pesquisa e empresas a desenvolverem produtos com características inovadoras, despertando também o interesse dos agricultores, devido ao alto valor agregado desses “novos” produtos.
A feira também destacou iniciativas para incentivar o consumo de hortaliças e a adoção de hábitos alimentares saudáveis, além de estratégias para reduzir o desperdício de alimentos. Embalagens inteligentes e atrativas – inclusive voltadas ao público infantil, com personagens de histórias em quadrinhos – trazem informações e dicas que facilitam a compra, conservação e preparo dos alimentos. Versáteis, os hortifrútis podem ser consumidos crus, cozidos, em sucos, sopas, doces e salgados. Na gastronomia, chefs têm buscado produtos sofisticados para saladas e decoração de pratos, o que tem impulsionado a comercialização de mini hortaliças e microverdes, colhidos entre sete e 15 dias após a semeadura.
Apesar dos desafios de produção e comercialização, o setor de hortifruti se destaca pela saudabilidade e pela oferta de produtos diferenciados. Sem dúvida, trata-se de um setor resiliente e em constante crescimento.
Warley Marcos Nascimento, Pesquisador da Embrapa Hortaliças e Presidente da Associação Brasileira de Horticultura (ABH)
E-mail: [email protected]
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