quarta-feira, 19 de junho de 2024

Bioinsumos

Bioinsumos ganham espaço rapidamente na produção agrícola e ampliam práticas sustentáveis

Tags: agroquímicos, biofábricas, bioinsumos, goiás

Um importante movimento rumo à agricultura do futuro começa a se fortalecer com o uso de insumos biológicos na agropecuária brasileira. Esse movimento vem ao encontro de uma tendência de agricultura mais sustentável, aproveitando a biodiversidade do país e buscando reduzir a dependência de insumos importados.
Seguindo esse viés, o estado de Goiás foi pioneiro ao criar a Lei dos Bioinsumos, em maio de 2021, que institui o Programa Estadual de Bioinsumos. O objetivo do Programa é ampliar e fortalecer a adoção de práticas para a evolução do setor agropecuário, com a expansão da produção, do desenvolvimento e da utilização de bioinsumos e sistemas de produção sustentáveis.
O Programa admite, inclusive, a possibilidade de os bioinsumos serem produzidos on farm, isto é, na propriedade do agricultor, seguindo os protocolos recomendados.
Para entender um pouco mais, os insumos biológicos são de origem animal, vegetal e microbiana, utilizados nos sistemas de cultivo agrícola para combater pragas e doenças e ou para melhorar a fertilidade do solo e a disponibilidade de nutrientes para as plantas
“Não temos dúvida de que os insumos biológicos são o futuro do agronegócio. São o carro-chefe para que o país possa se desenvolver no agro, criando biofábricas para beneficiar o produtor rural. Por isso, é essencial que o produtor rural e profissionais do agronegócio estejam preparados para lidar com essa tecnologia”, afirma o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, Tiago Mendonça, que é também engenheiro agrônomo.

secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, Tiago Mendonça
Secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, Tiago Mendonça

Ele esteve em Londrina (PR) recentemente, participando como palestrante da abertura da XIV Semana de Agronomia da UniFil. Tiago Mendonça falou aos universitários sobre “Cenário e perspectivas do agro brasileiro – visão para o futuro na profissão de Agronomia”.
Após a criação da Lei dos Bioinsumos em Goiás, o estado formou um grande hub com diversos centros de pesquisas como Embrapa Arroz e Feijão, Embrapa Cerrado, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás, (Fapeg) e instituições como a Universidade Estadual de Goiás (UEG), as quais trabalham no desenvolvimento de pesquisas que vão auxiliar os produtores a fazerem a melhor utilização dos bioinsumos nas propriedades rurais. “Por meio do hub,  13 biofábricas foram criadas no Estado para pesquisar e aprimorar a qualidade dos bioinsumos”, complementa o secretário.
A utilização de bioinsumos está em franco crescimento no Brasil – pesquisa da Spark Inteligência Estratégica aponta 40% ao ano.  De acordo com o secretário Tiago Mendonça,  a previsão de faturamento do setor no Brasil para 2022 pode chegar a R$ 2,5 bilhões e a estimativa é que até 2030 alcance cerca de R$18 bilhões.
“É um crescimento enorme. Essa tecnologia traz uma maneira diferente de praticar a agricultura e isso não tem mais volta. À medida em que o produtor vai tendo conhecimento e a segurança do uso dos biológicos, ele passa a adotar os bioinsumos na propriedade”, afirma o secretário, acrescentando que atualmente os biológicos já trazem uma redução de 35% no uso de agroquímicos. “Temos propriedades que já fazem o uso 100% de bioinsumos, sem perda de produtividade”.
De acordo com o secretário, o estado de Goiás tem hoje conhecimento suficiente para substituir, com segurança, os produtos químicos por biológicos. “No caso dos fertilizantes, por exemplo, temos produtores utilizando os remineralizadores, como o pó de rocha (insumo feito a partir da trituração de rochas.), juntamente com compostos biológicos, para que possamos diminuir a necessidade de importação de fertilizantes”.
O Brasil importa atualmente 85% dos fertilizantes, sendo a maior parte de países euroasiáticos, como a Rússia e  Ucrânia, que estão em guerra .“O conflito entre dois países nos mostrou que precisamos diminuir a necessidade de importação de fertilizantes”, disse ele.
Para Tiago Mendonça, além de diminuir a dependência de compra de outros países,  a produção de  bioinsumos no Brasil vai impactar positivamente no mercado de trabalho, demandando mão de obra especializada por conta da tecnologia embarcada utilizada na produção.
“Os bioinsumos vão contribuir para uma nova agricultura, a qual chamamos de agricultura regenerativa, de sustentabilidade, que é hoje a maior exigência da União Europeia e China para adquirir nossos produtos. E nós estamos mostrando que é possível fazer essa agricultura”.
Paraná estuda implantação de programa de bioinsumos
Por meio de uma resolução, o Paraná constituiu um grupo de trabalho com representantes da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (SEAB), Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Adapar, Ocepar, Faep e Fetaep para discutir a implantação de um programa estadual de bioinsumos. O objetivo das entidades é debater as questões regulatórias para garantir a segurança e a normatização da produção de bioinsumos no estado
Ainda no Estado, a pesquisadora da Embrapa Soja, Mariangela Hungria, única brasileira entre os cem maiores cientistas do mundo inserida no ranking Plant Science and Agronomy, conduz pesquisas voltadas para o desenvolvimento de inoculantes à base de bactérias que substituem os fertilizantes nitrogenados e possibilitam uma agricultura mais sustentável.
Ela é uma das responsáveis pelo desenvolvimento das tecnologias de inoculação e co-inoculação da soja, o que tem promovido grandes saltos de produtividade no campo: a fixação biológica do nitrogênio (FBN) traz uma economia anual de 14 bilhões de dólares ao Brasil, ao dispensar o uso de adubo nitrogenado.
Além dos trabalhos com soja, Mariangela também coordenou pesquisas com outras tecnologias, como a autorização/recomendação de bactérias (rizóbios) para a cultura do feijoeiro, Azospirillum para as culturas do milho e do trigo e de pastagens com braquiárias e coinoculação de rizóbios e Azospirillum para as culturas da soja e do feijoeiro e melhoria das pastagens.

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