terça-feira, 10 de março de 2026

Política e Economia

Barter ganha protagonismo como alternativa para o agricultor enfrentar juros altos em 2026

10/03/2026
Em um cenário de crédito caro e restrito, a troca de grãos por insumos assume papel estratégico na gestão financeira e proteção de margem nesta safra
Por: Redação
barter moeda soja conexão agro
Quando o produtor utiliza o barter, ele consegue transformar o grão na sua moeda
Divulgação

A persistência da taxa Selic em níveis elevados deve continuar sendo um dos principais desafios do produtor rural ao longo de 2026. O crédito segue mais caro e restrito, exigindo renegociações baseadas, em grande parte, em recursos livres de mercado. Com a Selic ainda próxima de 15%, o custo do crédito rural pode ultrapassar 20% ao ano, encarecendo o financiamento de safra e o custeio e pressionando uma rentabilidade já bastante comprometida.

Esse ambiente afeta toda a cadeia do agronegócio, mas atinge de forma sensível o produtor, sobretudo pelo aumento dos custos de produção e das novas garantias exigidas pelos bancos. “Hoje, o produtor sente o impacto principalmente em três frentes: margens cada vez mais reduzidas, dificuldade de acesso ao crédito e o custo elevado dos insumos”, avalia Luiz Sarzedas, supervisor de Crédito e Cobrança do Grupo Conceito.

Nesse contexto, o barter ganha destaque como uma das principais alternativas para atravessar o período de crédito caro. A modalidade, baseada na troca de commodity por insumos, permite ao produtor reduzir a exposição às oscilações financeiras e trazer maior previsibilidade ao custo de produção. Ao fechar a relação de troca no momento da compra do insumo, geralmente entre abril e maio, o agricultor consegue travar parte relevante dos seus custos, mesmo que a entrega do grão ocorra meses depois, na colheita.

“O produtor planta em outubro e só colhe em fevereiro ou março, convivendo por cerca de 180 dias com a variação do preço da commodity, do câmbio e do mercado externo. Quando ele utiliza o barter, consegue transformar o grão na sua moeda e proteger o custo de produção”, explica Sarzedas. Ele destaca que operações estruturadas antecipadamente permitiram, na safra atual, ganhos adicionais de até R$ 15 por saca em comparação a quem ficou exposto ao mercado, o que representa um impacto expressivo no resultado, especialmente em áreas maiores.

A relevância desse tipo de estratégia está ainda maior quando comparada a ciclos anteriores. Em 2021 e 2022, a saca de soja chegou a valer quase R$ 190 no momento da colheita. Hoje, com preços próximos de R$ 110, o produtor enfrenta uma queda acentuada no poder de compra, ao mesmo tempo em que os custos de insumos e serviços aumentaram. Nesse cenário, travar custos deixou de ser apenas uma opção e passou a ser uma necessidade de gestão.

“Além do barter, é importante que o produtor conte com suporte técnico durante todo o ciclo produtivo, com orientações para a tomada de decisões mais seguras, desde a contratação até a entrega do grão”, reforça Sarzedas. A expectativa para a próxima reunião do COPOM, em março, é de uma leve redução da Selic, com recuo de 15% para 14,75%, o que pode aliviar parcialmente a pressão financeira, mas não muda o quadro estrutural de juros elevados.

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