terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Agricultura Familiar
Custos aliviam na suinocultura
27/07/2023
Levantamento de custos revela alívio à suinocultura
Por: Redação
suinocultura
Apesar do cenário preocupante nos modais, alguns sinais de recuperação da atividade são evidentes, como o maior número de fêmeas alojadas nas granjas
Tags: agroindústria

A crise que vem castigando a suinocultura paranaense nos últimos três anos pode estar perdendo a força. Sinais como o aumento na produção, maior peso registrado nos abates e maior número de fêmeas nas granjas indicam que a cadeia está passando por um rearranjo produtivo. Essa percepção surgiu durante o levantamento de custos de produção da suinocultura paranaense, realizados em maio desse ano pelo Sistema FAEP/SENAR-PR.

Para essa análise, a metodologia elege um tipo de propriedade “modal”, aquela que mais se repete em uma determinada região no que diz respeito a tamanho, equipamentos e quantidade de animais. Para o levantamento de custos de produção da suinocultura estadual, quatro modalidades foram analisadas: Unidade Produtora de Desmamados (UPD), Unidade Produtora de Leitões (UPL), Crechário (UC) e Unidade Produtora de Terminados (UPT).

Pela primeira vez, o trabalho foi realizado apenas com produtores que integram as Comissões de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs), instâncias de discussão entre agroindústrias integradoras e produtores integrados. Ao todo, foram levantados dados de quatro diferentes Cadecs nas três principais regiões produtoras de suínos no Estado: Sudoeste, Oeste e Campos Gerais. Nos painéis anteriores, a divisão era por fase produtiva, de modo que participavam produtores de diferentes empresas.

Apesar do cenário preocupante nos modais, alguns sinais de recuperação da atividade são evidentes, como o maior número de fêmeas alojadas nas granjas, aumento nos dias de lactação e retomada no peso de abate padrão. Além disso, embora todas regiões e modalidades analisadas no levantamento de custo realizado pelo Sistema FAEP/SENAR-PR apresentem prejuízo sobre o custo total (que soma ao custo operacional a remuneração sobre o capital investido), houve uma melhora generalizada nos saldos dos custos produtivos.

“As margens da atividade estão cada vez menores e, assim como em outras áreas, para alcançar a rentabilidade é essencial ter escala e, dessa forma, redução dos custos fixos de produção. As agroindústrias e cooperativas têm uma visão de longo prazo e há uma redução do plantel mundial. Alguém terá que suprir futuramente este déficit e sairá na frente quem estiver preparado”, destaca a presidente da Comissão Técnica (CT) de Suinocultura da FAEP, Deborah de Geus.

Dentro da porteira

Para o suinocultor Elói Fávero, que atua na fase de UPD na região Oeste e participa da Comissão Técnica (CT) de Suinocultura da FAEP, a atividade demonstra certo equilíbrio em relação ao levantamento anterior. “Teve alguns custos que caíram nesse período, outros que subiram, por isso acho que os custos ficaram equilibrados”, afirma.

De acordo com o painel realizado com os produtores que participam da mesma integração que Fávero, o saldo sobre o custo operacional aumentou 112,3% entre maio de 2023 e novembro de 2022 (data do levantamento anterior). Isso indica que no curto e no médio prazos, esses produtores terão dificuldades para se manter na atividade. Apesar de conseguir arcar com os custos variáveis, não terão condições de renovar a infraestrutura e realizar melhorias. Isso porque, enquanto o produtor recebe R$ 40,89 por leitão, o custo total chegou a R$ 62,27 por animal. “O valor de remuneração ainda está baixo e sem sinalização de melhora firme”, aponta Fávero.

A mão de obra, mais uma vez, esteve no topo da lista de gastos que mais sofreram aumento. Entre as UPDs analisadas na região Oeste, esse item subiu de R$ 16,92, em novembro do ano passado, para R$ 20,14 em maio desse ano. As despesas com energia e combustíveis vieram em seguida, com alta de 31%.

Na modalidade Crechário, os R$ 10,50 por cabeça pagos ao produtor não cobrem os custos variáveis, desembolsos como energia, mão de obra, alimentação, entre outros, para produzir um lote. Esse sistema apresentou um saldo variável negativo de R$ 6,28, o que significa um prejuízo total de R$ 16,41 por leitão. Também nessa fase produtiva mão de obra e energia são os principais gastos.

“Além de cara [a mão de obra], está difícil até de encontrar”, pondera o suinocultor Gilberto Rentz, que atua na fase de Crechário no município de Piraí do Sul, nos Campos Gerais. Com uma granja capaz de alojar 2,7 mil leitões, o suinocultor observa receio entre os produtores da região frente ao atual momento que atravessa a atividade. “Todo mundo está com o pé no freio, ninguém otimista. Todo mundo se segurando, pois não está uma atividade atraente”, analisa.

Fonte: Sistema Faep/Senar-PR

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