Dia de Campo de Verão na Embrapa Soja traz inovações ao sistema produtivo

A Embrapa Soja e a Fundação Meridional promovem, no dia 06 de março, sexta-feira, das 8h às 12h, o tradicional Dia de Campo de Verão, na Vitrine de Tecnologias da Embrapa Soja, em Londrina (PR). Entre as temáticas técnicas estão o manejo de percevejos, o impacto da diversificação de culturas e da inoculação na saúde do solo e na produtividade das culturas, aprendizados sobre o manejo de plantas daninhas e demonstração de cultivares de soja e de feijão. As inscrições para participação são gratuitas e podem ser feitas aqui: https://lp-cnpso.comunica.embrapa.br/dia-de-campo-de-soja-2026-inscricoes
Manejo de percevejos - A proposta da estação técnica sobre Manejo de percevejos com parasitoides de ovos procura demonstrar o potencial de uso de Telenomus podisi - parasitoide de ovos do percevejo-marrom e do percevejo-barriga-verde, principais pragas do sistema produtivo soja e milho. “É uma estratégia que, quando bem posicionada, aumenta a sustentabilidade do sistema produtivo, melhora o equilíbrio biológico da lavoura e potencializa os resultados no controle de percevejos”, destaca o pesquisador Adeney de Freitas Bueno.
De acordo com Bueno, o Telenomus podisi já é um produto comercial, disponibilizado por empresas do setor de controle biológico. Por isso, o objetivo é apresentar informações práticas para que o produtor compreenda quando, como e por que utilizar o parasitoide, garantindo maior eficiência e segurança na adoção da tecnologia. “O sucesso da tecnologia está diretamente ligado ao equilíbrio do sistema produtivo. Ao ser incorporado ao MIP, o controle biológico contribui para reduzir a pressão de inseticidas, preservar inimigos naturais e aumentar a eficiência do controle ao longo da safra”, explica Bueno.
Benefícios da diversificação de plantas - Produzir soja de baixo carbono não significa apenas ampliar o volume de palha e raízes, mas integrar espécies com arquiteturas radiculares complementares e diferentes capacidades de aporte de nutrientes. Este é o tema central da estação Soja Baixo Carbono: Importância da diversidade de plantas que contará com uma trincheira de exposição de sistemas radiculares, para visualização das diferenças estruturais entre as espécies.
De acordo com o pesquisador Henrique Debiasi, da Embrapa Soja, a diversificação de espécies vegetais no sistema produtivo, mais do que aumentar a quantidade de palha e raízes no solo, deve combinar diferentes famílias de plantas de cobertura, especialmente gramíneas e leguminosas. A braquiária, por exemplo, é reconhecida pelo sistema radicular com raízes finas e densas, o que permite penetração em camadas mais adensadas. “Elas melhoram a estrutura do solo e a maior retenção de água, além de produzir palhada, o que mantém o solo protegido por mais tempo”, explica Debiasi.
Mesmo assim, o pesquisador diz que a inclusão de leguminosas é indispensável para o equilíbrio físico, químico e biológico do sistema. “Diferentemente das gramíneas, essas plantas apresentam raízes que formam bioporos maiores e contínuos, favorecendo a drenagem da água e a aeração do solo”, avalia. “Enquanto as gramíneas contribuem para maior retenção hídrica por meio de poros menores, as leguminosas ampliam a macroporosidade, promovendo equilíbrio estrutural”, ressalta Debiasi.
Saúde do solo e potencial produtivo - Durante a estação técnica sobre Boas práticas e saúde do solo, o pesquisador Marco Antonio Nogueira, da Embrapa Soja, apresentará resultados de um experimento conduzido há 9 anos, que avalia os efeitos do consórcio milho-braquiária, com ou sem inoculação com Azospirillum, e os reflexos na biologia do solo e na nutrição e produtividade da soja cultivada na sequência.
De acordo com o pesquisador, a partir do quinto ano de ensaio, os resultados positivos se evidenciaram em uma safra marcada por restrição hídrica, quando a soja cultivada após milho solteiro alcançou 3.000 kg/ha. Por outro lado, a soja após milho consorciado com braquiária produziu 3.400 kg/ha e a soja após milho consorciado com braquiária, ambos inoculados com Azospirillum, o rendimento foi de 3.800 kg/ha. “Na comparação entre o sistema tradicional (milho solteiro) e o sistema consorciado com inoculação, o ganho chegou a aproximadamente 800 kg/ha naquela safra”, diz Nogueira.
Os dados revelam ainda que o solo do sistema milho-braquiária apresenta maior atividade enzimática e a soja cultivada na sequência apresenta maior colonização das raízes por fungos benéficos nativos do solo (chamados fungos micorrízicos) em comparação à soja cultivada sobre milho solteiro. Quando o milho e a braquiária recebem inoculação, os níveis de atividade enzimática do solo e de colonização micorrízica da soja são ainda mais elevados. “As enzimas atuam na ciclagem de carbono e nutrientes e os fungos micorrízicos ampliam a capacidade de exploração do solo pela planta, favorecendo a absorção de água e nutrientes de baixa mobilidade, como o fósforo”, afirma Nogueira.
Nesta estação técnica, o agente de transferência de tecnologia, Arnold Barbosa de Oliveira apresentará dados relacionados ao estoque de carbono e à porosidade do solo, que também apresentam melhorias no sistema consorciado e inoculado. “Embora a expectativa de que boas práticas, como os consórcios, melhorem a qualidade do solo não seja novidade, os resultados observados com a inoculação da soja ou do consórcio milho-braquiária são inéditos e os dados de longo prazo trazem evidências quantitativas consistentes desse impacto”, destaca Nogueira.
Cultivares de soja e feijão - As cultivares de soja que estarão em demonstração, na Vitrine da Embrapa são: BRS 546, BRS 539, BRS 559RR, BRS 1064 IPRO, BRS 1056 IPRO, BRS 2361 I2X e BRS 2058I2X. Entre as cultivares de feijão, estarão sendo demonstradas três cultivares do grupo carioca - BRS ELO FC424 e BRS FC429; BRS FC415 - e três do grupo comercial preto - BRS FP426 e BRS FP417 e BRS FP327.
Confira a programação das estações técnicas
1) Cultivares de soja
2) Cultivares de feijão
3) Soja Baixo Carbono: Importância da diversidade de plantas
4) Manejo de percevejos com parasitoides de ovos
5) Plantas Daninhas na safra 2025/2026: O que aprendemos
6) Boas práticas de saúde do solo
Dia de Campo de Verão na Embrapa Soja
Data: 06 de março
Horário: 8h às 12h
Local: Embrapa Soja – rodovia Carlos João Strass s/n, em Londrina (PR)
Inscrições: https://lp-cnpso.comunica.embrapa.br/dia-de-campo-de-soja-2026-inscricoes





