quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Biológicos

Projeto prevê transformar resíduos orgânicos em composto enriquecido com microrganismos

17/02/2026
A iniciativa prevê a implantação de uma composteira na unidade
Por: Redação
resíduos orgânicos compostagem AGROECOLOGIA CONEXÃO AGRO
Estação de Pesquisa em Agroecologia do Instituto, em Pinhais
IDR-Paraná/Divulgação
Tags: projeto de compostagem, resíduos orgânicos
Resíduos orgânicos podem ser transformados em um composto enriquecido capaz de suprir as necessidades das culturas agrícolas. Essa é a proposta do Projeto Compostagem, desenvolvido pelo IDR-Paraná em parceria com a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Estadual do Paraná (Funespar) e a empresa Ambiente Livre. A Estação de Pesquisa em Agroecologia do Instituto, em Pinhais, sediou, recentemente, uma reunião para apresentação e alinhamento das ações.

A iniciativa prevê a implantação de uma composteira na unidade, além da distribuição de baldes entre colaboradores do IDR-Paraná e do CEEP Newton Freire Maia para a coleta de resíduos orgânicos domésticos. Ao final do processo, os participantes receberão um balde do composto produzido. Entre os materiais permitidos estão cascas de frutas, verduras e legumes, talos, sementes, cascas de ovos e borra de café. Não são aceitos resíduos de origem animal nem alimentos industrializados ou preparados com sal e temperos.

Segundo o consultor ambiental Maurício Gikoski, representante da empresa Ambiente Livre, responsável pela execução por meio de edital da Seti, o trabalho envolve o acompanhamento do processo por sensores e análises laboratoriais, buscando validar a metodologia e possibilitar sua replicação. Após a compostagem, o material seguirá para o laboratório do IDR-Paraná, em Londrina, onde passará por enriquecimento com microrganismos. “A expectativa é expandir a iniciativa e criar um produto final com valor agregado, já que o composto tradicional possui valor nutricional, mas ainda não atende plenamente às necessidades dos produtores”, explicou.

Serão utilizados três microrganismos: Trichoderma sp (fungos), Bacillus sp (bactérias) e microalgas – adição que torna o composto mais eficiente. “Vejamos um exemplo prático: se uma fonte de fósforo não está disponível, microrganismos capazes de solubilizá-lo produzem ácidos orgânicos durante o crescimento, transformando-o em uma forma assimilável pela planta”, detalhou a pesquisadora da área de microbiologia do solo do IDR-Paraná, Diva Andrade.

O coordenador do projeto, pesquisador e coordenador estadual de pesquisa do Programa Recursos Naturais e Sustentabilidade (PRNS), Arnaldo Colozzi, destaca que a discussão sobre resíduos orgânicos é iminente. “A questão do lixo humano é um problema crescente. A compostagem, porém, não é lixo: é um resíduo rico, parte da ciclagem de nutrientes. Quando não a incorporamos ao dia a dia, desperdiçamos um recurso natural e contribuímos para a geração de chorume, prejudicial à natureza e às pessoas”, afirmou.

Como parte das atividades, a equipe técnica visitou a Fazenda Urbana, no bairro Cajuru, em Curitiba, para conhecer o modelo que será implantado na Estação. A perspectiva futura inclui ações educativas com crianças e o desenvolvimento de um produto de fácil aplicação, como na forma granulada, que poderá ser utilizado em hortas domésticas e jardins, contribuindo para a gestão sustentável de resíduos e o fortalecimento de práticas agrícolas mais ecológicas.

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