terça-feira, 23 de abril de 2024

Agropecuária, Doenças e Pragas
Resistência genética amplia o controle da brusone e da giberela no trigo
12/01/2024
  Doenças do trigo desafiam produtores e afetam a produção em termos de quantidade e qualidade
Por: Redação
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Espigas afetadas por giberela podem apresentar sintomas semelhantes aos provocados pelo patógeno causador da brusone
Foto: Embrapa (Diogo_Zanata)
Tags: Doenças do trigo

A brusone e a giberela são doenças de grande destaque na cultura do trigo. Elas ocorrem na espiga do trigo e têm causado enormes prejuízos, afetando tanto a produção em termos de quantidade como também de qualidade.

O pesquisador João Nunes Maciel, da área de Fitopatologia da Embrapa Trigo, em Passo Fundo (RS), explica que a  brusone é causada pelo fungo Pyricularia oryzae Triticum, enquanto que a giberela tem com agente causal o fungo Fusarium graminearum.

“São doenças que ocorrem principalmente na espiga; quanto mais cedo estes patógenos infectam as plantas de trigo, maiores serão os danos, pois ambas impactam diretamente a formação e enchimento de grãos”, alerta  Nunes Maciel, acrescentando que a brusone origina o sintoma típico de branqueamento da espiga que pode ser parcial ou total.

No caso da giberela, segundo o pesquisador, toda a espiga pode ser atacada, sendo possível visualizar a esporulação do fungo nas glumas e lemas, constituída de uma massa de coloração alaranjada. Além disso, é comum observar grãos chochos, enrugados e com coloração branco-rosada.

Cabe destacar, segundo o pesquisador, que espigas afetadas por giberela podem apresentar sintomas semelhantes aos provocados pelo patógeno causador da brusone. A diferença é que a ráquis da espiga afetada por giberela apresenta coloração marrom-escura, enquanto a ráquis de espigas com brusone, apresenta coloração preta e esporulação acinzentada.

Segue entrevista com o pesquisador João Nunes Maciel.

Quais fatores favorecem o aparecimento da brusone e giberela e formas de prevenção?

A ocorrência de brusone e de giberela nas lavouras de trigo do Brasil depende muito das condições ambientais. As epidemias de brusone têm sido mais comumente relatadas em estados brasileiros como Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, no Distrito Federal e em regiões do país como norte do Paraná e sul de São Paulo. Normalmente, essas epidemias ocorrem quando existe a combinação das seguintes condições: dias chuvosos durante o espigamento da cultura do trigo e temperatura na faixa de 24 a 28 ºC. Já a giberela, considerada a principal doença da cultura do trigo no Rio Grande do Sul, ocorre nas espiguetas sob condições de alta umidade relativa do ar, geralmente após, pelo menos, 48 h de umidade, sob temperatura de 20°C. Para cultivos estabelecidos, é crucial monitorar as condições ambientais e o desenvolvimento do trigo, especialmente durante o florescimento, quando chuvas aumentam o risco de brusone e giberela. Recomenda-se a aplicação preventiva de fungicidas desde a floração, antes das chuvas ocorrerem.

Quais os principais desafios no manejo para controle da brusone?

Embora a utilização da resistência genética seja uma das mais eficientes medidas de manejo das doenças de plantas, não há cultivares de trigo que sejam imunes à brusone. Ainda vale destacar que, em anos com chuvas excessivas no espigamento, o manejo químico com fungicidas poderá não oferecer uma proteção significativa, inclusive por conta da baixa mobilidade dos ativos na ráquis, apresentando baixa eficiência de controle da doença.

 Como é feito o manejo da giberela?

As principais estratégias de controle consistem no uso de cultivares com o maior nível de resistência disponível e aplicação de fungicidas no florescimento. Os melhores resultados têm sido observados quando a primeira aplicação é realizada aos 50% do florescimento. Mantendo-se o ambiente favorável à doença, uma segunda aplicação é indicada decorridos cinco a sete dias daquela primeira aplicação. O escalonamento da época de semeadura e cultivares com ciclos reprodutivos distintos, visando escape para período crítico da infecção também podem complementar o manejo integrado da doença.

Quais os principais danos que as doenças causam à lavoura e também à saúde humana e animal?

Pela característica de infectar a ráquis, o dano da brusone é maior quando infecta a base da espiga, pois inviabiliza o enchimento de grãos a partir do ponto de infecção do patógeno. Os grãos infectados por brusone também são frequentemente deformados ou murchos. Consequentemente, uma parcela significativa desses grãos acaba sendo perdida durante a operação de colheita. É importante destacar que o fungo causador da brusone pode infectar todos os órgãos aéreos de trigo, desde o estádio de plântula. Os grãos colhidos de espigas infectadas por giberela apresentam descoloração e má formação. Além do prejuízo em termos de quantidade do produto colhido, a ocorrência de giberela causa o acúmulo da micotoxina deoxinivalenol (DON), nociva para humanos e animais, que deprecia a qualidade do produto colhido. Tanto para a brusone quanto para a giberela, os danos são dependentes do momento em que ocorre a infecção, sendo menores em infecções tardias e maiores em infecções precoces.

São grandes os percentuais de perdas no Brasil com essas duas doenças?

As perdas causadas por essas doenças podem variar amplamente de ano para ano, dependendo das condições climáticas, do manejo adotado e de outras variáveis. Em condições climáticas favoráveis, o fungo responsável pela brusone apresenta potencial para gerar uma redução drástica, podendo atingir até 100% no rendimento da cultura. Em relação à giberela, os registros de danos são mais variáveis. Há, entretanto, registros no Brasil de danos de, pelo menos, 70%.

Existe alguma pesquisa em andamento para desenvolver um germoplasma mais resistente à brusone e à giberela?

As principais ações de pesquisa relativas à resistência à brusone do trigo têm sido realizadas no sentido de introgredir nas novas cultivares de trigo geradas um fragmento de DNA originário de um parente selvagem do trigo (Aegilops ventricosa), denominado segmento 2NS/2AS. Essa fonte de resistência à brusone do trigo tem se confirmado como sendo bastante benéfica à produção de trigo, especialmente nos locais com histórico de ocorrência da doença. Uma das dificuldades que essa estratégia pode apresentar no futuro é a chamada “quebra de resistência”. No entanto, espera-se que essa resistência à brusone associada ao segmento 2NS/2AS seja muito duradoura. Em relação à giberela, o esforço que os programas de melhoramento genético de trigo no Brasil têm dedicado no sentido de gerar cultivares em que a produção da micotoxina DON seja a menor possível. Não é algo fácil de ser obtido, mas os trabalhos têm sido muito intensos nesse sentido. Ressalta-se que, considerando seu risco à saúde humana e animal, e por existir legislação vigente sobre o limite máximo tolerável de micotoxina DON em grãos e farinhas de trigo, ações de pesquisas tratando desse tema em relação à giberela têm sido conduzidas em grande número no mundo todo.

Fonte: Fundação Meridional

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