A agilidade no processo de contratação do crédito é uma das especialidades do Sistema Sicredi, que atua no segmento do agronegócio há pelo menos 35 anos, repassando recursos aos produtores rurais.
Com o anúncio do Plano Safra 2021/2022, na última semana, a Sicredi União Paraná/São Paulo tem a expectativa de liberar R$1,35 bilhão aos seus cooperados, o que representa 30% a mais que no ano passado.
Para a próxima safra, as taxas de juros sofreram aumentos que começam em 3% e chegam a 8,5% ao ano. Na safra anterior, variava de 2,5% a 7% ano ano. O aumento dos juros ocorre no momento de elevação da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central, para combater o aumento da inflação no Brasil.
Do total de R$ 1,35 bilhão que a Sicredi União vai disponibilizar, R$ 145 milhões serão destinados ao pequeno produtor do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 440 milhões para o médio produtor do Programa Nacional do Médio Produtor (Pronamp) e R$ 770 milhões para o grande produtor, os chamados Demais no sistema financeiro.
O gerente de Desenvolvimento de Negócios Agro da Sicredi União Paraná/São Paulo, Vitor Pasquini, avalia que o impacto da elevação dos juros será sentido mais pelo grande produtor, que pagará juros de 7,5% em custeio, 8% em financiamentos via cooperativas e 8,5% em financiamentos de máquinas e equipamentos agrícolas – o aumento representa 10% a mais em relação à safra anterior.
Na agricultura familiar, os juros são de 3% para a produção de alimentos básicos (hortifruti) e de 4,5% para a produção de outros itens. O médio produtor rural pagará juros de 5,5% para custeio e 6,5% para investimento.
“Considerando o cenário atual, com pandemia e taxa Selic a 4,25%, esse acréscimo nos juros já era esperado. O aumento destinado ao pequeno e médio agricultor está dentro de nossas expectativas, mas o grande produtor, certamente, será mais afetado com o aumento das taxas”, afirma Pasquini.

Segundo ele, o agronegócio tem demanda por financiamento bastante superior ao ofertado pelo Governo Federal, que foi de R$ 251 bilhões, 6,3% a mais que em 20/21. “Porém, se as taxas fossem mantidas, o volume de recursos viria muito menor do que veio. O montante pleiteado pelo setor era de R$ 15 bilhões”.
CORRIDA PELOS RECURSOS – A agilidade no processo de contratação do crédito é ponto fundamental para a Sicredi União. “O Plano Safra existe para que esse dinheiro seja mais acessível para custear as operações, inovações e comercialização, principalmente para pequenos e médios produtores, por isso já começamos a analisar as propostas, porque assim que o governo disponibilizar as resoluções no Diário Oficial, já estaremos na frente”, afirma Vitor Pasquini, lembrando que no ano anterior, algumas linhas de financiamento do BNDES, que eram para durar o ano todo, se esgotaram em outubro.
“Na parte de custeio temos recursos suficientes para atender o ano todo. Mas quando se fala em investimentos o momento é esse. Na verdade, começamos a analisar propostas de investimentos desde maio, mesmo sem saber das taxas”.
ATENDIMENTO PERSONALIZADO – Para motivar o agricultor a escolher a Sicredi União na hora de financiar a sua safra, já que as taxas de juros são iguais para todas as instituições, Pasquini aposta no atendimento personalizado e diferenciado que a cooperativa de crédito presta aos seus associados. “Esse é nosso diferencial, prestamos uma espécie de consultoria ao agricultor, treinamos nossos colaboradores para entender a real necessidade dos nossos associados. Oferecemos soluções e não produtos, além de termos uma tradição no agro de 35 anos”, afirma Pasquini.
TOTAL DO PLANO SAFRA – Ao todo, serão oferecidos R$ 251,2 bilhões de crédito para os agricultores, sendo R$ 177,78 bilhões para custeio e comercialização e R$ 73,4 bilhões para investimentos, com juros de 3% a 8,5%. Na safra anterior, foram R$ 236,3 bilhões de crédito com juros de 2,75% a 7% ao ano.
Em entrevista à rádio CBN, o superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti, disse que o agronegócio brasileiro precisa de muito mais. “Na verdade, a necessidade do agronegócio brasileiro é de R$ 750 bilhões para a safra, mas os recursos anunciados ficaram dentro da expectativa de todas as entidades que integram o setor produtivo e que caminham juntas com o Sistema Ocepar na apresentação de propostas de políticas agrícolas para o governo”, avalia Mafioletti, acrescentando que as cooperativas devem solicitar ao governo pelo menos R$ 250 bilhões ainda este ano.
Projeção de crescimento para seguro rural gira em torno de 80%
Sendo a agricultura uma empresa a céu aberto no qual está sujeita a receber sol e chuva em excesso ou escassez, é importante começar uma safra com alguma precaução. Nessas horas é preciso recorrer ao seguro rural.

Para 2022, a subvenção ao Prêmio do Seguro Rural será de R$ 1 bilhão. A Sicredi União Paraná/São Paulo espera um crescimento de cerca de 80% nas operações, montante semelhante ao atingido no ano passado, quando foram contratados R$ 30 milhões em prêmio líquido.
“Cada vez mais o produtor percebe a importância do seguro agrícola e nós esperamos fechar este ano com R$ 50 milhões “, avalia Victor Pasquini.
Com a subvenção de R$ 1 bilhão do Plano Safra será possível contratar aproximadamente 158.500 apólices, proteger 10,7 milhões de hectares e um valor total segurado de R$ 55,4 bilhões.



