
Hortaliças na Infância: construindo hábitos saudáveis nas escolas do Distrito Federal
O consumo diário de hortaliças é amplamente reconhecido como essencial para a promoção da saúde. Esses alimentos são fontes ricas de vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes, contribuindo não apenas para o bom funcionamento do organismo, mas também para a hidratação corporal. A ingestão regular de hortaliças está associada à prevenção de doenças crônicas, como problemas cardiovasculares, diabetes e certos tipos de câncer. Além disso, favorece a saciedade, auxilia no controle do apetite e, consequentemente, no combate à obesidade. Embora os benefícios sejam inúmeros, o consumo de hortaliças no Brasil ainda está aquém das recomendações diárias estabelecidas por órgãos como o Ministério da Saúde (MS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Esse cenário é preocupante e demanda uma análise aprofundada dos fatores que influenciam o baixo consumo desses alimentos. Políticas públicas eficazes são fundamentais para ampliar o acesso e incentivar hábitos alimentares saudáveis, especialmente entre crianças e adolescentes. Nesse contexto, programas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) desempenham papel estratégico ao promover a segurança alimentar e nutricional nas escolas públicas, com foco especial na população em situação de vulnerabilidade.
No Distrito Federal, a Secretaria de Estado de Educação (SEEDF) é responsável por garantir uma alimentação escolar adequada e saudável para os estudantes da rede pública. Essa atuação se concretiza por meio de ações de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) e da oferta de refeições nutricionalmente equilibradas, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados em detrimento dos ultraprocessados. Para muitas crianças, a merenda escolar representa a principal refeição do dia, o que reforça a importância de seu alto valor nutricional.
A introdução de hortaliças na alimentação escolar desde a infância é essencial para a formação de hábitos saudáveis que podem perdurar na vida adulta. A aceitação desses alimentos pode ser facilitada por preparações atrativas e diversificadas, elaboradas com criatividade pelas merendeiras, que desempenham papel fundamental nesse processo.
Segundo dados da SEEDF, o Programa de Alimentação Escolar (PAE) atende atualmente 682 unidades de ensino, beneficiando cerca de 490 mil alunos e fornecendo aproximadamente 9,3 milhões de refeições por mês. Em 2024, foram servidas 93,5 milhões de refeições nas escolas do DF, com a aquisição de 8,6 milhões de quilos de alimentos perecíveis, incluindo hortaliças. Além disso, duas Regionais de Ensino receberam cerca de 300 mil quilos de produtos orgânicos, com destaque para frutas e hortaliças.
As diretrizes do PNAE incentivam a descentralização das ações e a articulação entre diferentes esferas governamentais. No DF, essa articulação ocorre por meio de parcerias com a Emater-DF e produtores locais, especialmente da agricultura familiar, para a aquisição de hortaliças destinadas às escolas. O DF se destaca como um importante polo de produção olerícola: em 2023, o setor movimentou R$ 1,76 bilhão, com uma produção de 249.275 toneladas, segundo dados da Emater-DF. São mais de 3 mil produtores que vivem da atividade, contribuindo diretamente para a segurança alimentar da região.
A promoção da educação alimentar nas escolas exige um esforço conjunto de diversos atores. No DF, esse trabalho integrado entre instituições públicas e privadas tem gerado resultados expressivos tanto na qualidade da alimentação escolar quanto na produção agrícola local. Destacam-se a atuação da Embrapa Hortaliças, com pesquisas e tecnologias voltadas à cadeia produtiva; a presença constante da Seagri-DF e da Emater-DF; o apoio das empresas fornecedoras de insumos; e, sobretudo, o empenho dos produtores, cuja dedicação e espírito empreendedor são fundamentais.
Com o fim do ano letivo, ganha a saúde das nossas crianças — e, junto com elas, o futuro que estamos ajudando a construir.
Warley Marcos Nascimento – pesquisador da Embrapa Hortaliças e presidente da Associação Brasileira de Horticultura (ABH), e-mail: [email protected]
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