quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026

O produtor da Agricultura Familiar deve aposentar … a enxada!
warley colunista horticultura conexão agro
Warley Marcos Nascimento
21/07/2025

O produtor da Agricultura Familiar deve aposentar … a enxada!

Iniciamos este artigo dizendo que a Agricultura Familiar também é Agro! Em várias cadeias produtivas, milhares de pequenos produtores familiares estão integrados, produzindo alimentos, adquirindo insumos, comercializando seus produtos e participando do agronegócio brasileiro, ou seja, são parte fundamental do Agro. Estamos falando de quase 4 milhões de estabelecimentos rurais, classificados como Agricultura Familiar, de acordo com o Censo Agropecuário de 2017, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); isto representa cerca de 77% de todos os estabelecimentos agropecuários do país. Na cadeia produtiva de hortaliças, a Agricultura Familiar desempenha um papel importante na produção, sendo responsável por uma parcela significativa no fornecimento de alimentos de qualidade e na geração de renda e empregos no campo.

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A importância da mecanização nas propriedades agrícolas é um consenso entre os produtores rurais, já que a tecnologia traz benefícios para todo o processo de produção. Embora o aumento da automação, da mecanização agrícola e as novas tecnologias estão modificando o perfil do setor rural brasileiro, o acesso a implementos agrícolas, tratores e colheitadeiras, é ainda reduzido para os pequenos agricultores por conta do alto custo tanto na compra quanto na manutenção destes equipamentos. Importante mencionar que para que o Agricultor Familiar tenha êxito na sua produção, é preciso, antes de mais nada, facilitar a aquisição de maquinários adaptados a sua realidade, uma vez que há uma carência de máquinas e implementos agrícolas adequados às necessidades desses produtores. Na cadeia produtiva de hortaliças, o acesso a esse maquinário ainda é uma realidade distante para a maioria dos pequenos produtores no país, os quais possuem baixa escala de produção e pouca capacidade financeira para investimentos mais altos.

Para aqueles não familiarizados com a cadeia produtiva de hortaliças, diferentemente de uma lavoura de grãos, como milho e soja, em que as máquinas já predominam, e boa parte do trabalho é mecanizado, na produção de hortaliças ainda existe muito trabalho manual, a depender da espécie e também do nível tecnológico, se mais familiar ou empresarial. A cadeia produtiva de hortaliças é bastante dinâmica, exigindo máquinas especializadas e, muitas vezes, a delicadeza e a diversidade (raleio de plantas, desbaste, poda, amarrio, colheita etc.) dos sistemas de produção “impede” a utilização de determinados equipamentos. Além disso, as hortaliças são produzidas o ano inteiro nas diferentes regiões brasileiras com diferentes níveis de tecnologia, de produtividade e de fluxo de caixa para investimento, tornando um maior desafio, pois é preciso desenvolver tecnologias e informações para os diferentes perfis de produtores e de sistemas de cultivo (convencional, orgânico, protegido, hidropônico etc.).

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Em recente edição do Plano Safra, o governo destinou recursos consideráveis (ainda insuficientes, segundo alguns analistas), à Agricultura Familiar, onde estas políticas de investimento incluem a aquisição de máquinas e equipamentos. Neste sentido, com o objetivo de apresentar um panorama das demandas e dos avanços tecnológicos no setor de máquinas, implementos e equipamentos agrícolas para a Agricultura Familiar, a Embrapa, juntamente com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e diversos parceiros lançaram, neste Plano Safra, o “Catálogo de máquinas para a agricultura familiar” (https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/doc/1176840/1/FL-Sede-68326.pdf).

Espera-se que, com essa e outras ações, investimentos em mecanização na olericultura, principalmente na Agricultura Familiar, comecem a decolar, incrementando a produtividade nos cultivos, melhorando a geração de renda, reduzindo a penosidade e aumentando a qualidade de vida desses agricultores. Sem dúvida, teremos uma maior oportunidade de diversificação da agricultura, com a introdução de novas culturas, contribuindo assim, para a oferta de novos produtos para o mercado local e até mesmo para a agroindústria. Eleva-se o patamar da agricultura local em todos os níveis, dinamizando outros setores da economia e fortalecendo o setor agrário como um todo, com consequência no aumento das margens de receita pelos agricultores familiares e também no estimulo ao desenvolvimento local das comunidades estagnadas e ou de baixa renda. Finalmente, a enxada deverá ter sua aposentadoria!

Warley Marcos Nascimento
Pesquisador da Embrapa Hortaliças e Presidente da Associação Brasileira de Horticultura (ABH); e-mail:[email protected]

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