quarta-feira, 04 de fevereiro de 2026

Por que o consumo de leguminosas de grãos secos deve crescer no Brasil — e por que isso importa para a saúde e a economia?
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Warley Marcos Nascimento
21/01/2026

Por que o consumo de leguminosas de grãos secos deve crescer no Brasil — e por que isso importa para a saúde e a economia?

As novas diretrizes alimentares divulgadas recentemente pelo governo dos Estados Unidos reacenderam o debate global sobre o papel das proteínas na dieta. A atualização praticamente dobra a recomendação diária: de 0,8 grama para 1,2 a 1,6 grama de proteína por quilo de peso corporal. A mudança ganhou repercussão internacional e deve orientar ajustes em políticas públicas e hábitos alimentares em diversos países.

No Brasil, o impacto tende a ser mais simbólico — nosso “Guia Alimentar para a População Brasileira” já incentiva o consumo de alimentos in natura e de fontes proteicas de qualidade, ao mesmo tempo que desencoraja ultraprocessados. Ainda assim, o novo posicionamento norte-americano reforça uma tendência mundial: a busca por fontes de proteína mais acessíveis, saudáveis e sustentáveis. Entre elas, um grupo merece atenção especial: as leguminosas de grãos secos, como ervilha, lentilha e grão-de-bico.

Um hábito tradicional que perdeu força
O feijão é um símbolo da alimentação brasileira, presente em receitas icônicas como feijoada e feijão tropeiro, este último recentemente incluído no ranking internacional do TasteAtlas entre os cinco melhores pratos vegetais do mundo. Apesar dessa importância cultural, o consumo nacional de feijão tem caído nas últimas décadas. Segundo o Instituto Brasileiro do Feijão (IBRAFE), a busca por praticidade e alimentos prontos contribuiu para essa redução — tendência que se repete com outras leguminosas.

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Grão-de-bico: o grão da felicidade

Por que apostar em ervilha, lentilha e grão-de-bico?
Nutricionistas e pesquisadores reforçam que as leguminosas de grãos secos são fontes completas e econômicas de proteína vegetal, além de fornecerem carboidratos complexos, fibras, vitaminas do complexo B e minerais como cálcio, magnésio, potássio e fósforo.

Outros benefícios:

 Baixo índice glicêmico, importante para controle da glicemia.
 Alta saciedade, auxiliando no controle de peso.
 Possibilidade de substituição parcial da proteína animal.
 Versatilidade na cozinha, tanto em pratos tradicionais quanto em produtos plantbased.
 Opções para pessoas intolerantes ao glúten e/ou celíacas.
O grão-de-bico ainda se destaca por conter triptofano, precursor da serotonina — motivo pelo qual é apelidado de “grão da felicidade”.

Consumo cresce, mas o país ainda depende de importações
Apesar do potencial, o Brasil ainda produz pouco dessas três leguminosas e continua dependente de fornecedores internacionais. Em 2025, as importações somaram: US$ 14 milhões em ervilha, US$ 19,1 milhões em lentilha e US$ 8,9 milhões em grão-de-bico. No total, US$ 42 milhões. Essa dependência explica os preços elevados no varejo — entre R$ 20,00 e R$ 30,00 por quilo — e dificulta o acesso da população a alimentos reconhecidamente saudáveis.

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Uma oportunidade para o agronegócio brasileiro
Especialistas defendem que fortalecer a produção nacional de leguminosas pode gerar ganhos relevantes: maior renda para agricultores; geração de empregos no campo; redução das importações; oferta de alimentos mais baratos e acessíveis ao consumidor; e, estímulo a dietas mais equilibradas e nutritivas. Com a ampliação das áreas cultivadas, o Brasil poderia abastecer o mercado interno e até mesmo disputar espaço no comércio internacional — cenário que já ocorre com os feijões brasileiros.

Alimentação saudável e desenvolvimento caminham juntos
A busca por alternativas proteicas é uma tendência mundial e deve se intensificar nos próximos anos. Para os especialistas, incentivar o consumo e a produção de leguminosas de grãos secos representa um avanço duplo: melhora a qualidade da alimentação da população e fortalece a economia nacional.

Em 2026, completam-se dez anos do Ano Internacional das Leguminosas, instituído pela ONU — um lembrete oportuno de que esses grãos simples e acessíveis podem desempenhar um papel estratégico na segurança alimentar e nutricional do país.

Leitura Adicional
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/publicacoes-para-promocao-a-saude/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf/view

https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1054423/hortalicas-leguminosas

https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1131511/1/HORTALICA-COMBINA-COM-LEGUMINOSAS-digital-pags.pdf

Warley M. Nascimento – pesquisador da Embrapa Hortaliças e presidente da Associação Brasileira de Horticultura (ABH), e-
mail: [email protected]

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