Especialistas e produtores discutem desafios e perspectivas da avicultura na ExpoLondrina

Os desafios da cadeia produtiva aviária pautaram os encontros técnicos realizados na tarde desta quinta-feira (16) no Pavilhão Smart Agro. Entre as principais preocupações estavam a sanidade (saúde das aves) e a biosseguridade (conjunto de ferramentas e medidas preventivas utilizadas para alcançar e manter a saúde dos animais). Avicultores, técnicos, especialistas, representantes de indústrias frigoríferas e do poder público estiveram presentes nas palestras e debates.
O diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR – Paraná), Natalino Avance de Souza, lembra que o estado é responsável por 35% da carne de frango produzida no Brasil. “A carne é um ativo muito importante nas exportações brasileiras. Hoje a soja exportada para a China é o principal produto de exportação do País e a carne, o segundo. A China tem um planejamento estratégico de até 2035 diminuir a dependência externa da soja. Então, se o Brasil quiser continuar com saldo positivo na relação com eles, é importante investir e aumentar ainda mais a capacidade produtiva e frigorífica da carne, especialmente a de frango”, destaca.
Otamir César Martins, diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), lembra que o Brasil mantém o status de país livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em granjas comerciais, mas registrou casos em aves silvestres e de subsistência em 2023, inclusive no Paraná.
Por conta disso, o Estado, maior produtor de frango do país, adotou medidas rigorosas de vigilância e destruiu preventivamente milhões de ovos vindos de áreas de risco, mantendo monitoramento intenso na faixa litorânea.
“Argentina e Uruguai registraram focos em 2026, o que causou impacto nas exportações desses países. O mesmo aconteceu no Rio Grande do Sul, no ano passado. Portanto, sempre dizemos que mais cedo ou mais tarde é possível que o Paraná também registre casos de gripe aviária em granjas comerciais. Precisamos de discussões como as que ocorrem aqui no Smart Agro, com representantes dos diferentes setores da cadeia, para que, quando a gripe aviária for detectada nas áreas produtivas do Paraná, a gente possa agir em conjunto e rapidamente minimizar qualquer risco ou prejuízo que possa ocorrer”, destacou o diretor-presidente da Adapar.
Risco baixo para saúde humana, grandes impactos econômicos
A cadeia produtiva aviária emprega 13,5% da população paranaense, com 95,3 mil empregos diretos na indústria e 1,5 milhão de empregos indiretos, segundo a Adapar. As regiões Oeste e Norte do Estado são as que concentram o maior número de granjas, aviários, frigoríferos, suporte, infraestrutura e logística da cadeia.
“Uma eventual contaminação das aves de granja oferece baixo risco para a população em geral. Os humanos não se contaminam ao ingerir carne contaminada e, também, não transmitem entre si a doença. As pessoas que ficam mais suscetíveis são os profissionais que cuidam do manejo direto com as aves vivas. Mesmo assim, existe um estigma muito grande em relação à produção de uma área eventualmente contaminada. Na prática, isso pode interromper até um ano de comercialização do produto, com impactos econômicos e sociais imensos em toda a cadeia produtiva”, pontua o médico veterinário Gilmar Pereira Neves, do departamento de saúde animal da Adapar.
Gilmar explica que vivemos o maior surto de influenza aviária da história por conta da facilidade da transmissão entre as espécies. No Paraná, as aves silvestres litorâneas são as que causam maior preocupação. “Em 2023 foi registrado focos de influenza aviária no litoral do Paraná. Apesar dos desafios, não houve contaminação às aves comerciais por conta da distância do litoral com as regiões produtivas e, também, por conta do trabalho ágil das instituições responsáveis pela sanidade e biosseguridade da avicultura do Estado”, destaca o médico veterinário.
Anderson Nascimento, diretor da AgriSolus, destacou que além de todas as orientações das instituições responsáveis pelos protocolos de segurança, a avicultura conta cada vez mais com recursos tecnológicos para assegurar bons indicadores ao longo da cadeia.
“O produtor precisa entender que mais do adquirir uma ferramenta tecnológica é preciso se beneficiar do recurso. Se a informação que a ferramenta gera não te ajuda nas suas tomadas de decisão, então ela não é útil”, enfatiza.
Anderson exemplifica que um dos indicadores de possíveis doenças nas aves é o fato delas deixarem de tomar água. “Um frango doente para de tomar água antes mesmo de parar de comer ou apresentar alguma questão física. Se as ferramentas, sensores e dados coletados em tempo real na granja não apontarem para este alerta, por exemplo, ele está sendo subutilizado. ”
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