
Biotecnologia na agricultura: a vez das frutas
A cesta de frutas do brasileiro está prestes a mudar, e a ciência por trás disso é mais ágil do que nunca. A edição gênica, uma espécie de "tesoura molecular" de alta precisão, está permitindo que pesquisadores melhorem o sabor, a durabilidade e a resistência das frutas sem a necessidade de inserir genes de outras espécies. No Brasil, amoras mais uniformes, bananas que não escurecem após o corte e laranjas imunes ao devastador Greening já receberam o selo de "plantas convencionais" pela CTNBio. Isso significa que, embora tenham passado por alta tecnologia em laboratório, o resultado final é idêntico ao que a natureza poderia produzir, o que facilita a aceitação dos consumidores e acelera a chegada desses produtos às feiras e supermercados.
Essa agilidade só é possível graças a uma legislação moderna que avalia o produto pelo que ele entrega, e não apenas pela técnica utilizada. É a vitória da ciência e do bom senso: se a fruta é segura e não possui material genético de outra espécie, ela deve chegar logo ao campo e ao consumidor. Esse modelo brasileiro, elogiado mundialmente, quebra o oligopólio de poucas empresas que até então eram as únicas que conseguiam usar a biotecnologia para colocar produtos no mercado. Com uma legislação segura e mais assertiva o Brasil e vários países têm permitido o desenvolvimento de soluções para outras culturas/espécies que não somente commodities, assim como soluções mais pontuais para problemas locais. Enquanto no passado um abacaxi transgênico de melhor sabor, levava 16 anos para ser liberado e uma maçã especial, que não escurecia sua polpa, demorava mais de duas décadas, a edição gênica e uma legislação positiva vem diminuindo esse tempo drasticamente, respondendo com velocidade aos desafios do clima e das pragas que encarecem o alimento na mesa do cidadão.
O exemplo histórico do mamão no Havaí mostra bem essa diferença. Para salvar a produção local de um vírus mortal, os cientistas tiveram um trabalho intenso até que o agricultor pudesse plantar os primeiros mamões transgênicos resistentes ao vírus da mancha anelar. Uma cultura que no Havaí foi aniquilada por esta virose, foi salva pela biotecnologia, via transgenia. Entretanto, devido a polêmica dos transgênicos levou 12 anos para ser plantada comercialmente no EUA, e nunca chegou no Brasil. Hoje, com as novas ferramentas da edição gênica, como a tecnologia CRISPR, o Brasil tem a chance de liderar essa revolução de forma ainda mais eficiente. Garantir que essas tecnologias avancem é proteger a competitividade da nossa agricultura e a qualidade do que comemos. Estamos vivendo a democratização da biotecnologia, onde a inovação serve ao pequeno e ao grande produtor, garantindo que o Brasil siga como o celeiro, o pomar, o supermercado do mundo, movido por ciência de ponta e sustentabilidade econômica, ambiental e social.
Alexandre Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja
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