quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Embrapa Soja: 50 anos de transformação, ciência e compromisso com o Brasil
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Alexandre Nepomuceno
18/04/2025

Embrapa Soja: 50 anos de transformação, ciência e compromisso com o Brasil

                                                             Alexandre Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja

No dia 16 de abril de 1975, nascia a Embrapa Soja, com uma missão clara e ambiciosa: desenvolver tecnologias para tornar o Brasil uma potência na produção de soja. Hoje, 50 anos depois, é possível afirmar com orgulho que essa missão vem sendo cumprida com excelência, paixão e responsabilidade.

A criação da Embrapa Soja ocorreu apenas três meses antes da devastadora “geada negra”, que destruiu boa parte das plantações de café no norte do Paraná. Assim, a chegada da Embrapa a esta região foi quase como uma premonição da importância estratégica que a cultura da soja assumiria não somente no estado do Paraná, mas também no futuro da agricultura nacional.

Londrina foi escolhida por sua localização geográfica privilegiada — uma zona de transição entre os climas tropical e subtropical — permitindo o desenvolvimento de cultivares adaptadas tanto ao Sul-Sudeste, quanto ao Centro-Oeste brasileiro. Foi aqui que se deu início a um dos primeiros e mais importantes programas de melhoramento genético de soja do Brasil.

A Embrapa Soja é, hoje, o maior centro de pesquisa da cultura da soja no mundo. Reúne a maior concentração de cientistas e especialistas dedicados exclusivamente ao desenvolvimento de tecnologias para essa cultura que representa a principal fonte de proteína vegetal do planeta — barata, abundante e estratégica.

A soja brasileira é usada majoritariamente como ração, na produção de proteína animal, mas também cresce em importância nos setores de biocombustíveis e na indústria de química fina. A revolução na agricultura que transformou o Brasil em uma potência agrícola teve a soja como carro-chefe — e a Embrapa Soja como um dos protagonistas.

O impacto vai além do campo. O aumento da produção de grãos brasileira — liderado pela soja — permitiu que o custo da cesta básica caísse de mais de R$ 1.000 na década de 1970 para menos de R$ 600, em valores atualizados atualmente. E o Cerrado, antes considerado improdutivo, tornou-se um dos principais celeiros agrícolas do mundo.

A expansão da soja para novas regiões só foi possível graças ao desenvolvimento de variedades adaptadas às baixas latitudes e aos diversos ambientes edafoclimáticos do Brasil. Hoje, o cultivo da soja está presente em cinco grandes macrorregiões agrícolas, distribuídas por vários estados brasileiros.

A Embrapa Soja foi pioneira, e uma das bases para a criação do mercado de sementes de soja no Brasil, hoje com a presença de várias empresas privadas. Esse avanço gerou emprego, renda e autonomia tecnológica ao país.

Atualmente, o papel da unidade evoluiu. Continuamos servindo como referência para os produtores, mas com um olhar ainda mais atento a riscos, como resistência às pragas e às doenças já presentes no Brasil e às quarentenárias. Estamos trabalhando para preparar o produtor para as mudanças climáticas, com variedades mais tolerantes e práticas que ajudem a mitigar os extremos climáticos é nossa prioridade, além de estarmos de olho às oportunidades, como nichos específicos de mercado interessados, por exemplo, no aumento do teor e da qualidade de proteína e óleo de nossos grãos.

Tropicalizar a soja exigiu mais do que genética. Foi preciso corrigir a acidez dos solos, melhorar a fertilidade, desenvolver práticas de manejo do solo e da cultura, criando soluções para controlar pragas e doenças tropicais.

O Brasil se tornou o líder mundial em agricultura tropical, e o trabalho desenvolvido pela Embrapa Soja esteve na vanguarda dessa transformação. Hoje, a cadeia produtiva da soja representa cerca de 6% do PIB nacional, gerando mais de 2,2 milhões de empregos diretos — e isso sem considerar o impacto na indústria de máquinas agrícolas, logística e insumos.

Essa é, talvez, uma das missões mais nobres que se pode ter: gerar alimentos, empregos, qualidade de vida e segurança econômica para o país.

A história da Embrapa Soja também carrega momentos de sacrifício. Em 1984, perdemos quatro colegas em um acidente aéreo durante uma missão de prospecção de áreas para a soja na cidade de Imperatriz (MA) — uma tragédia que poucos conhecem, mas que está marcada na história da instituição. Eles desbravavam a região de Balsas, hoje coração do MATOPIBA, maior fronteira agrícola em expansão no Brasil.

Muito antes da palavra se tornar tendência, a sustentabilidade já fazia parte do nosso trabalho. Práticas como plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, manejo integrado de pragas, doenças e ervas daninhas, a rotação de culturas, entre tantas outras, foram desenvolvidas, testadas, aperfeiçoadas e disseminadas com o apoio da Embrapa Soja e nossos parceiros.

Falamos também de sustentabilidade social: mais de 70% dos produtores de soja no Brasil são pequenos produtores, muitos produtores familiares, com áreas menores que 50 hectares, que tem na produção de soja a base econômica de suas propriedades e famílias.

Não basta mais afirmar que somos sustentáveis — é preciso comprovar com dados e métricas confiáveis. Por isso, criamos o projeto Soja Baixo Carbono, para mensurar e validar nossos avanços com base científica. O mundo nos cobra isso, e temos que mostrar que a agricultura brasileira, em especial a produção de soja brasileira, não é problema no que diz respeito as mudanças climáticas. Na verdade, somos parte da solução, pois produzimos alimentos e biocombustíveis para nós e para o mundo, ao mesmo tempo que nossas práticas, por exemplo, como o plantio direto e a fixação biológica de nitrogênio sequestram carbono e reduzem as emissões de gases de efeito estufa.

Também trabalhamos na agregação de valor, com projetos como o Soja Alto Oleico, que visa melhorar a qualidade do óleo para usos alimentares e energéticos, como o biodiesel verde e o SAF (Sustainable Aviation Fuel). Uma soja com óleo de melhor qualidade é muito mais interessante no uso como biocombustível pois emite menos oxido nitroso (~300x mais poluente que o CO2), é melhor para uso na indústria química (para produção de pneus, asfalto, lápis de cera, tintas, fibras têxteis, etc), mas também muito mais saudável para consumo humano.

E há muitas dúvidas e incógnitas em nosso caminho, mas a Embrapa Soja está atenta.
Como a inteligência artificial vai impactar a cadeia produtiva da soja? Como a novas tecnologias na genética, como a edição gênica e o RNA interferente irão mudar a produção de soja? A África será um competidor relevante na produção de grãos afetando nossas exportações no médio e longo prazo, como nos diferenciar? Teremos uma virada na matriz energética global com matérias-primas vegetais como a soja assumindo papel ainda mais relevante?

Precisamos avaliar todos os cenários possíveis e garantir que a maior parte dos ganhos da nossa agricultura  fiquem no Brasil, e não escapem em forma de royalties para outros países. É preciso investir mais e continuar desenvolvendo competências, habilidades e tecnologias nacionais, fortalecendo a autonomia do agro brasileiro.

Uma missão nobre, uma responsabilidade imensa. A Embrapa Soja chegou até aqui com muito trabalho, ética, ciência e parceria com o produtor. E seguiremos adiante, com os pés no chão, os olhos no futuro e o coração no Brasil.

 

 

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